domingo, 28 de setembro de 2014

Conheça as raças que geram carne de alta qualidade no Brasil

Programa Giro do Boi apresenta série especial sobre raças bovinas

 

Toda semana, o Giro do Boi exibe uma série especial sobre raças bovinas, que avalia os pontos positivos e negativos de cada raça, além de fazer um balanço do mercado pecuário para elas. Confira aqui as reportagens especiais e as matérias exibidas durante o programa:

GUZERÁ
Raça guzerá é destaque em produtividade e qualidade da carne


Nos últimos anos, a guzerá foi a raça que mais cresceu em número de associados da ABCZ e foi o animal que mais evoluiu, principalmente na comercialização de touros a campo. Segundo o presidente da Associação dos Criadores de Guzerá do Brasil (ACGB), Adriano Valera Galvão, a raça vem se sobressaindo cada vez mais na produção de carne. 



HEREFORD E BRAFORD
Raças hereford e braford são referência em qualidade da carne e ganho de peso

Para Gedeão Avancini Pereira, coordenador técnico da Associação Brasileira de Hereford e Braford (ABHB), o braford veio pra possibilitar a melhor adaptação da espécie hereford (que apresenta alto nível de produtividade) no clima tropical brasileiro. A precocidade do acabamento de carcaça e qualidade da carne é o carro chefe da raça.

SENEPOL
Adaptação, rusticidade e monta natural são destaques da raça senepol

A raça apresenta alta capacidade de adaptação, rusticidade, docilidade na hora de manejar, alta libido (o que favorece a monta natural) e uma carne de altíssima qualidade. Essas são as características mais citadas por criadores que passaram a fazer seleção e optaram pelo taurino.

BRAHMAN
Brahman é destaque em cruzamento industrial e qualidade da carne



Um dos principais pontos do brahman é a sua aptidão para o cruzamento industrial. Além de touro possuir uma grande capacidade de cobertura a campo. Quando cruzado com a vaca nelore, gera um desempenho muito interessante.
SIMENTAL
Alta produtividade, adaptação e qualidade de carne são atrativos da raça simental

Muitas vezes, a tradição é peça chave para a qualidade da carne. É o caso da raça simental, que está no Brasil há mais de 110 anos. Estudos aprofundados foram feitos para melhoria do gado e da produtividade dessa raça, e os resultados têm dado muito certo para os produtores desse boi rústico.

LIMOUSIN
Precocidade de terminação e velocidade no ganho de peso são diferenciais da francesa limousin 

165 anos. É aproximadamente há esse tempo que a francesa limousin está no Brasil. O primeiro boi da raça no país teria vindo direto da França, como um presente de Dom Pedro para um amigo. E todo esse tempo de vida por aqui foi um dos principais responsáveis pelo resultado impressionante que essa raça vem demonstrando.

BLONEL
Com peso acima da média, bezzeros da raça Blonel são destaque em qualidade de carne


Com berço na exigente tradição gourmet francesa, a raça sintética blonel foi desenvolvida no município de Pedreira, no interior paulista, há exatos 22 anos. A intenção de Eduardo Rocha Leão ao fundar a linhagem era abastecer o mercado de carnes para o dia a dia. Segundo ele, 85% do consumo nacional é voltado para cortes sem excesso de gordura e mais macios, que e justamente a característica dessa raça.

ANGUS
Casamento das raças angus e nelore é o futuro da pecuária brasileira
O crescimento da raça angus vem sendo vertiginoso no Brasil. Em 2014, a raça bateu recorde na venda sêmen, segundo a Associação Brasileira de Inseminação Artificial (Asbia). Os Estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás, na região Centro-Oeste, são os maiores produtores de meio sangue do país, representam 43% da produção de mestiços angus em território nacional.




BONSMARA
Raça bonsmara é destaque em qualidade de carne e se firma no mercado gourmet

No final de todo o trabalho árduo do criador, o que realmente importa é entregar uma carne de qualidade. Afinal, é isso que vai trazer satisfação para todas as pontas da cadeia produtiva, do pecuarista até o consumidor. Pensando nisso, muitos açougues premium na cidade de São Paulo e em todo o Brasil se preocupam em comprar carne de raças específicas para entregar ao comprador final uma mercadoria de excelência. E uma das raças mais vendidas nesses lugares é a bonsmara.

NELORE E NELORE MOCHO
Nelore, a raça mãe do Brasil, é a alavanca comercial da pecuária nacional

A chegada do nelore no Brasil iniciou no século 19, quando há registro de boiadas vindas da Índia. Hoje, não dá para imaginar o Brasil Central sem esse animal. No quadro Raças Bovinas, do Giro do Boi, veja a edição sobre a "raça mãe do Brasil", que tanto contribuiu para a evolução comercial e afetiva da sociedade com o gado. O apresentador Mauro Ortega recebe o gerente-executivo da Associação dos Criadores de Nelore (ACNB), André Locatelli, que fala sobre a adaptação do nelore ao clima tropical, sobre rusticidade e genética.

CHAROLÊS E CANCHIM
Raças charolês e canchim são destaque na produção de carne no país

O quadro Raças Bovinas, do programa Giro do Boi, desta terça, dia 26, mostra a habilidade das raças charolês e canchim – uma raça sintética, fruto do cruzamento entre o próprio charolês (5/8) com o nelore (3/8). O cruzamento dessas raças originou um forte e precoce, conhecido por ser um grande produtor de carne no país.

DEVON
Alta conversão alimentar e qualidade da carne devon chamam atenção na Expointer 2014

Rusticidade, docilidade, precocidade sexual e de acabamento de carcaça, fertilidade e grande capacidade de converter um pasto “pobre” em um produto diferenciado e lucrativo são algumas das qualidades da raça devon.


DEVON
Alta conversão alimentar e qualidade da carne devon chamam atenção na Expointer 2014

Rusticidade, docilidade, precocidade sexual e de acabamento de carcaça, fertilidade e grande capacidade de converter um pasto “pobre” em um produto diferenciado e lucrativo são algumas das qualidades da raça devon.







Como preparar suas matrizes para esta estação de monta?

Com a chegada da primavera e das chuvas, pecuaristas devem estar atentos para atingir boas taxas de prenhez

 

Nesta semana, o Giro do Boi tratou de um tema de extrema relevância para a pecuária: a reprodução. Especialistas deram dicas sobre como melhor preparar as matrizes para esse período, seja por inseminação artificial ou por monta natural. O médico veterinário Rodrigo Martins, especializado em reprodução animal, garante que para um resultado positivo, as matrizes devem apresentar um escore de condição corporal adequado (ECC) e unidade de pós-parto adequada. Para isso, a nutrição, bem-estar animal e a questão sanitária são essenciais.

– A maioria dos problemas com as matrizes que não manifestam boas taxas de prenhez está diretamente relacionada à alimentação. Os pontos de vista nutricionais e sanitários são de suma importância para a gestação de um bezerro de qualidade –afirma Martins.

Além disso, o especialista realça que as vacinações obrigatórias e estratégicas são essenciais para o rebanho, uma vez que as doenças reprodutivas afetam toda a cadeia.

 

Bem-estar animal: sombra é essencial em regiões de clima quente

Raças taurinas são pouco adaptadas a climas quentes e, por isso, as que mais sofrem os efeitos prejudiciais de altas temperaturas no ambiente

 

Com a crescente preocupação do mercado consumidor – principalmente o europeu – em relação ao bem-estar animal, os produtores rurais devem ficar cada vez mais atentos ao modo como os animais são tratados dentro das propriedades. O conforto térmico é um dos requisitos que garantem, além do bem-estar, a sustentabilidade e o sucesso da atividade pecuária em regiões de clima quente.

A produção animal no Brasil concentra-se basicamente na região intertropical, onde existe a maior incidência de radiação solar, o que pode causar efeitos prejudiciais, tanto na produção e na sanidade, quanto na reprodução.

– Quando falamos em produção animal a pasto nos trópicos, considerando-se as mudanças climáticas e a perspectiva de aumentar ainda mais a temperatura do ambiente, é preciso tomar alguns cuidados para evitar esses efeitos prejudiciais aos animais – destaca a pesquisadora da Embrapa Gado de Corte (Campo Grande, MS), Fabiana Villa Alves.

Há raças bovinas mais ou menos adaptadas ao calor. As taurinas, em geral, são pouco adaptadas a climas quentes e, por isso, as que mais sofrem os efeitos prejudiciais de altas temperaturas no ambiente.

– Por outro lado, o nelore, pertencente às raças zebuínas, é um animal considerado adaptado a esse tipo de clima. Algumas características, como a cor da pele e do pelo, e a grande quantidade de glândulas sudoríparas muito eficientes, auxiliam-no a tolerar bem o calor – diz a pesquisadora.

Entretanto, ela explica que mesmo sendo adaptados, sofrem em períodos prolongados com altas temperaturas por se tratarem de animais homeotérmicos, que devem manter a temperatura "ótima" para realizar as funções fisiológicas normalmente. Quando essa temperatura começa a aumentar ou diminuir, eles precisam usar alguns mecanismos para retorná-la àquela considerada normal.

Os animais têm diferentes faixas de temperaturas consideradas de conforto térmico. Para os taurinos, essa faixa é de até 27 graus. O zebuíno suporta um pouco mais, mas a temperatura máxima de conforto é de 35 graus.

– No inverno, no Centro-Oeste, são facilmente registradas temperaturas, ao sol, próximas a essa. Então, dependendo da raça e da adaptabilidade, o animal fica ofegante, aumenta a temperatura retal e os batimentos cardíacos para tentar dissipar esse calor e voltar à temperatura ótima. Mas todo mecanismo que ele usa para isso demanda gasto de energia, o que pode refletir em queda de produtividade – lembra Fabiana.

Para deixar os animais na zona de conforto térmico, ela lembra que são necessárias modificações ambientais, conforme o sistema de produção. Para os confinados é possível colocar aspersores de água, cortinas e sistemas de ventilação. Para animais a pasto, a medida mais eficiente é oferecer sombra, que pode ser tanto artificial (sombrite 70%), quanto natural. Esta última, dada pela introdução de árvores, é a mais barata e eficiente, além de trazer outros benefícios agregados como aumento de biodiversidade, diversificação da renda e alimento para os animais.

– A sombra natural é mais eficiente porque a árvore, além de bloquear a radiação solar, cria um microclima embaixo daquele ambiente com sensação térmica mais agradável. Assim, é oferecida uma condição de melhor conforto térmico, por se tratar de um ambiente com menor temperatura e, com isso, é possível promover o bem-estar do animal – acrescenta a pesquisadora.

Segunda ela, a espécie da árvore a ser usada depende de alguns fatores. Por exemplo, em sistemas de integração Lavoura-Pecuária-Floresta (iLPF) na região Centro-Oeste, o eucalipto é muito utilizado devido às condições de solo (ácido e com baixo teor de argila) e ao mercado consumidor existente para celulose, madeira e carvão.

Na Embrapa Gado de Corte, são realizados estudos para caracterizar quantitativa e qualitativamente tipos de sombra de diferentes espécies de árvores, e quantificar o benefício proveniente dela para os animais. A expectativa é que os resultados sejam divulgados dentro de três anos.