Eles chegam sempre à noite, armados de fuzil ou espingarda calibre 12. Escolhem a vítima pelo peso –as
gordas são as mais visadas– e atiram para matar, na cabeça.
Depois, cortam o animal e deixam crânio, vísceras e patas no local do abate. Levam apenas a carne, ao
menos 15 arrobas (225 quilos), que vendem no mercado paralelo.
A "gangue da vaca", como a quadrilha é conhecida na zona rural de Brodowski (a 338 km da capital), está
aterrorizando os produtores locais, que calculam ter perdido 500 animais em 18 meses.
Os ladrões usam cavalos das próprias fazendas para apartar os animais que lhes interessam e não
separam o couro da carne para ganhar tempo e valorizar o produto.
Dois veículos, um leve e um caminhão, são utilizados para levar a carne, mas um terceiro, uma moto,
circula na zona rural antes para escolher o alvo do dia. Em nenhum caso foram furtados mais de seis bois
de uma vez.
A Folha ouviu sete fazendeiros que, juntos, perderam 192 animais para a quadrilha. Em apenas dois
meses, foram 90, segundo eles.
"São profissionais, pois fazem cortes com serra elétrica e são rápidos. Devem ser exvaqueiros ou
açougueiros", diz Paulo Roberto Ferreira.
O último caso ocorreu na fazenda dele, na semana retrasada. Ferreira afirma que 11 de suas 120 cabeças
de gado nelore já foram levadas.
Os animais são vendidos no mercado paralelo por R$ 2.000 cada –R$ 1.000 a menos, em média, que no
oficial.
O grupo calcula que a cada semana seis animais, em média, sejam levados. Isso representa 1.350 quilos
de carne que chegam ao mercado sem passar por inspeção.
Um fazendeiro decidiu colocar um chip na cabeça das vacas para ajudar no rastreamento, mas elas foram
deixadas no pasto.
Outro, Irivelton Egidio Garoti, instalou câmeras, sensores e alarmes na fazenda para não ver seu rebanho
diminuir. Até adotar as medidas, ele perdeu quatro animais.
Agora, o medo é que os ladrões passem a visar outros bens, como tratores e implementos. "Nos sentimos
impotentes", diz José Mauricio Fiori, que perdeu 11 animais.
Uma dificuldade para prender o grupo é a quantidade de estradas rurais e vicinais em municípios
vizinhos, como Jardinópolis, Altinópolis, Serrana e Batatais.
Segundo o delegado de Brodowski, José Augusto Franzini de Almeida, uma pessoa foi detida por suposto
envolvimento nos crimes e um açougue que operava irregularmente foi fechado.
"A área rural é muito grande, mas estamos investigando. Mandados de busca e apreensão devem sair
nos próximos dias", diz. Para ele, os assaltantes precisam ter boa logística, com câmaras frigoríficas para
guardar a carne.
Para o exsecretário nacional de Segurança Pública José Vicente da Silva Filho, é impossível patrulhar
toda a zona rural, e a melhor solução é investigar locais de abate e açougues. "Ninguém rouba gado para
ficar com ele."
A PM informou que registrou três ocorrências (com nove cabeças de gado) em janeiro e fevereiro e que
faz policiamento preventivo onde há maior incidência de crimes.
O rebanho de Brodowski é estimado em 14 mil animais. Com informações da Folha
domingo, 29 de março de 2015
Consumo global de carnes está em alta
Puxado pelos países emergentes, o consumo global de carnes cresceu 3% em 2014, somando 225
milhões de toneladas, conforme estimativa da consultoria Euromonitor. No ano passado, a Índia registrou
o maior crescimento no consumo de carnes em todo o mundo.
“A melhora na condição de vida e o crescimento populacional estão impulsionando o consumo de carnes
em mercados emergentes”, afirmou em comunicado à imprensa a analistachefe de alimentos in natura da
Euromonitor, Anastasia Alieva. De acordo com ela, o consumo de carnes na Índia cresceu quase 50%
desde 2009, impulsionada pelo crescimento de 95% na renda anual do país asiático.
Além da Índia, a Euromonitor também destacou o crescimento do consumo de carnes no Brasil e na
China. Pelas estimativas da consultoria, o consumo de carnes no Brasil cresceu 4% no ano passado,
estimulado pelo avanço de 4,7% no consumo de carne de aves. No caso da China, o crescimento foi de
5% para a carne bovina e 3% para a carne suína.
Na contramão dos países emergentes, os países desenvolvidos amargaram queda no consumo de carnes
em 2014. Conforme a Euromonitor, houve queda de 1% nos EUA. Em crise econômica, a Grécia teve a
maior queda no consumo de carnes, seguida por Alemanha e Holanda. A Euromonitor detalhou o ritmo de
queda do consumo de carnes nesses países.
Entre as avaliações apontadas para a queda no consumo de carnes nos países desenvolvidos, a
Euromonitor cita as preocupações com saúde e sustentabilidade, que reduzem o consumo de carne
vermelha. “Em países desenvolvidos, as carnes de aves ampliam espaço na dieta dos consumidores em
detrimento da carne vermelha, que está ganhado uma má reputação devido a preocupações com a
saúde”, afirmou Alieva. Com informações do Valor.
Margens dos frigoríficos: as menores em 4 anos
Queda de preços para a carne bovina, mercado do boi gordo pressionado para cima e margens estreitas na indústria. O cenário atual resume o que tem acontecido desde o começo do ano. Em São Paulo existem frigoríficos fazendo toda sua escala com boiadas adquiridas por R$147,00/@, à vista. Os compradores que ofertam menos que a referência compram nos estados vizinhos. O que sustenta as cotações é a falta de oferta. Em praticamente todas as praças não é incomum indústrias ofertando valores maiores. Acompanhe as cotações do boi em: www.pecuaria.com.br/cotacoes.php A margem entre o Equivalente Scot Carcaça e o preço pago pela arroba, em 9,9%, é a menor dos últimos quatro anos. Sem perspectiva de melhora da situação econômica do país, o escoamento não deve crescer. As exportações, segundo dados parciais, vêm com mais uma redução em março, depois das quedas em janeiro e fevereiro, agravando ainda mais o cenário de venda de carne. O boi casado de animais castrados saiu de R$8,70/kg para os atuais R$8,56/kg.Com informações da Scot Consultoria.
Arroba do boi bate recorde histórico de preço
Os valores máximos que compõem a amostra do Indicador ESALQ/BM&FBovespa do boi gordo (estado
de São Paulo) estão na casa dos R$ 150/@, de acordo com dados do Cepea. Esse preço é recorde, em
termos reais, considerandose os máximos de toda a série histórica do Cepea, iniciada em 1994. No caso
do Indicador (média ponderada dos negócios do dia mantidos na amostra), as cotações atuais estão
próximas do recorde real, batido no dia 27 de novembro de 2014, de R$ 147,79 (deflacionandose pelo
IGPDI de fev/15).
Em termos nominais, o Indicador do dia 24, de R$ 146,50 foi o maior da série. Esses patamares estão
surpreendendo agentes do setor. No mercado futuro da BM&FBovespa, os contratos com vencimento em
Março/15, por exemplo, apontavam no início deste ano valores na casa dos R$ 140 para a arroba.
Acompanhe o preço da arroba do boi em: www.pecuaria.com.br/cotacoes.php
Os fundamentos de alta continuam atrelados à oferta baixa. Além de o volume de animais prontos para
abate ser relativamente pequeno, produtores se mantêm retraídos, devido aos altos patamares de preços
da reposição, reforçando as valorizações da arroba. Isso acontece mesmo com frigoríficos ainda relatando
dificuldade de repassar os aumentos no atacado. Com informações do CEPEA.
Arroba: consumo lento não afeta preço do boi
Dificuldade no escoamento da produção de carne. O consumo permanece em ritmo lento, o que gerou
redução de 4,1% no preço da carne com osso desde o início do ano.
O quilo do boi casado de animais castrados está cotado em R$8,56.
Enquanto isso, o mercado do boi gordo parece não ter sentido o reflexo do consumo.
Acompanhe as cotações da arroba do boi em: www.pecuaria.com.br/cotacoes.php
Os preços estão firmes e em alta, o que deixa claro que, mesmo em momento de vendas fracas, a oferta
restrita de animais este ano é a principal balizadora do preço da arroba.
A queda nas exportações desde janeiro colabora com o acúmulo dos estoques e a consequente fraqueza
das cotações.
Os frigoríficos vêm trabalhando com margens abaixo da média histórica. Com informações da Scot
Consultoria.
domingo, 22 de março de 2015
CNA reduz expectativa de faturamento para o agro
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) reduziu sua estimativa para o Valor Bruto da
Produção (VBP) agropecuária no país neste ano. O faturamento das atividades “dentro da porteira” deve
somar R$ 460,5 bilhões, de acordo com a divulgação de hoje. Em 5 de março, a entidade projetava R$
469,6 bilhões. Se confirmado, o montante divulgado hoje será 2% maior que o estimado para 2014.
Conforme a CNA, o VBP das 20 principais culturas agrícolas do país deverá crescer 1,5% e somar R$
286,4 bilhões. Na projeção anterior, a estimativa era de R$ 289,3 bilhões. Somente a soja, carrochefe da
produção nacional de grãos, deve ter um VBP de R$ 97,8 bilhões, 8,4% superior ao de 2014.
Em relação à pecuária brasileira, o VBP deve crescer 2,8% neste ano em relação a 2014, para R$ 174,1
bilhões. Em 5 de março, a projeção era de R$ 180,3 bilhões.
Na semana passada, o Ministério da Agricultura também divulgou seus cálculos de VBP, com projeção de
R$ 479,1 bilhões, montante 0,3% superior ao calculado pela pasta em 2014. Com informações do Valor.
Frigoríficos pagam acima da referência pelo boi
Das 31 praças pesquisas pela Scot Consultoria, houve alta em cinco para o boi gordo.
Em São Paulo, estão cada vez mais comuns ofertas de R$146,00/@, à vista, para o boi gordo e as escalas
atendem de 3 a 4 dias. O mercado está sem espaço para pressão de baixa.
Algumas plantas compram nos estados vizinhos, a fim de conseguir melhores preços.
A falta de oferta de animais terminados é o que vem segurando os preços da arroba. Do outro lado a
venda de carnes continua fraca, com pressão sobre a margem da indústria.
Segundo números do Caged, o total de empregos no país em fevereiro, 41,1 milhões, caiu em relação ao
mesmo mês de 2014. Nos últimos dez anos não havia registro de retração.
As chuvas recuperaram as pastagens e há pecuaristas retendo os animais. Com informações da Scot
Consultoria.
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