domingo, 10 de janeiro de 2016

Custos da pecuária de corte subiram 17,2% em 2015

De acordo com a Scot Consultoria, cenário de margens reduzidas deve se manter em 2016

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Neste mesmo período, o boi gordo subiu 3,3% em SP 

De acordo com o Índice Scot Consultoria de Custo de Produção da Pecuária de Corte, o custo da atividade teve alta de 17,2% nos últimos doze meses, até dezembro.
Neste mesmo período, o boi gordo subiu 3,3% e o bezerro 16 % em São Paulo.
A inflação, medida pelo IGP-DI, até novembro, teve alta de 10,6%, também em doze meses.
Com isso, o ano termina com um cenário de encurtamento de margens, que deve se manter para 2016. Assim, reforça-se a importância do planejamento e da gestão técnica e comercial do negócio para os próximos doze meses.

Fonte: Scot Consultoria

Câmara nega redução tributária para carnes

Parecer da Comissão de Finanças é terminativo e proposta foi arquivada

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A Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados rejeitou o Projeto de Lei 5710/13, do deputado Giacobo (PR) que garante ressarcimento tributário na venda de aves, suínos, peixes e crustáceos vivos, além de ovos de aves produzidos para exportação.
A proposta havia sido aprovada pela Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural. No entanto, como o parecer da Comissão de Finanças é terminativo e não houve recurso para análise pelo Plenário, a proposta foi arquivada.

Reintegra - Pelo texto, o benefício começaria a valer a partir de 1º de julho de 2013. As empresas que exportassem esses produtos passariam a integrar o Regime Especial de Reintegração de Valores Tributários para as Empresas Exportadoras (Reintegra), criado pela Lei 12.546/11.
O Reintegra permite que as empresas sejam ressarcidas por resíduos tributários federais embutidos nos produtos e que não foram objeto de isenção, suspensão ou outro mecanismo de desoneração das exportações.

Incompatível - Na avaliação do relator, deputado Aelton Freitas (PR-MG), entretanto, a medida que aumenta a carga tributária é incompatível com o atual contexto econômico, de redução dos níveis de atividade e de expectativas empresariais desfavoráveis.
Além disso, argumenta o deputado, “o esforço governamental para reequilibrar as contas públicas e assegurar a sustentabilidade fiscal do Tesouro Nacional reforça a noção de que o espaço para desonerações tributárias está mais do que esgotado”.
Freitas reforçou ainda que o projeto descumpre regras da Lei de Responsabilidade Fiscal (Lei Complementar 101/00). A LRF determina que as proposições legislativas que, direta ou indiretamente, importem ou autorizem diminuição de receita pública ou aumento de despesa da União deverão estar acompanhadas de estimativas do impacto orçamentário-financeiro no exercício em que deva iniciar sua vigência e nos dois seguintes.

Fonte: Agência Câmara

domingo, 27 de dezembro de 2015

Manejo Reprodutivo de bovinos de corte: matrizes

(*) por Gustavo Melo e Vitoriano Neto, médicos veterinários da Equipe Rehagro
 
 

A Inseminação Artificial (IA) foi a primeira ferramenta capaz de atuar diretamente na multiplicação de animais melhorados geneticamente. E foi também o primeiro passo para acelerar a transmissão de genes considerados superiores relacionados a características de interesses econômicos. Porém, com tempo, foram observados problemas relevantes nessa ferramenta, tais como falhas na identificação de cio. Mas porque isso seria limitante? Faltava treinamento e experiência em relação a mão de obra?
Sem dúvida, no início, sim, mas com o desenvolvimento de novas pesquisas voltadas à IA, descobriu-se alguns fatores altamente relevantes, que ajudariam a limitar o uso dessa ferramenta. O estro (cio) curto das vacas zebuínas (Bos indicus), em relação às vacas taurinas (Bos taurus) e a manifestação do estro em períodos noturnos, citados por BÓ et al. (2003) e BERTAN et al. (2006), respectivamente, aliados à característica de anestro pós-parto desse grupo genético, sem dúvida demonstraram uma lacuna importante nesse processo.
 
A partir daí, uma das formas encontradas para melhorar os índices reprodutivos foi o desenvolvimento de protocolos de indução de estro e sincronização da ovulação, para assim possibilitar a inseminação artificial em tempo pré-determinado, sem necessidade então de observar e identificar o cio.
 
Além dessa grande vantagem, estudos de Baruselli et al (2002) demonstram que a Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF) possibilita que as prenhezes ocorram no início da estação de monta, assim diminuído o período de serviço e aumentando a eficiência reprodutiva do rebanho.
 
Essa ferramenta possibilita que a vaca conceba mais cedo e, consequentemente, produza bezerros mais cedo. Este fator gera aumento do peso à desmama e melhor resultado financeiro devido ao maior número de arrobas produzidas.
 
Atualmente, muitos produtores tratam todas as categorias de matrizes com IATF. Para vacas solteiras e novilhas, embora os resultados de prenhez não sejam muito consistentes, as vantagens da IATF relacionam-se diretamente às falhas na detecção de cio e no envolvimento da mão de obra para tal fim. Já nas categorias de vacas multíparas e primíparas, além de minimizar o envolvimento de funcionários e as falhas na observação de cio, favorece um possível reestabelecimento da ciclicidade, decorrente do anestro fisiológico pós-parto.
 
Porém, para realizar a inseminação artificial, o produtor rural deve estar atento ao estado nutricional de suas matrizes. Uma forma de se fazer isso é avaliar o Escore de Condição Corporal (ECC).
 
O ECC é uma avaliação subjetiva que apresenta alta correlação com espessura de gordura subcutânea. Apesar de subjetiva, esta avaliação utiliza alguns parâmetros científicos que verificam as quantidades de gordura e músculos em determinadas regiões do corpo do animal. As principais regiões avaliadas são costelas, processos transversos da coluna vertebral, processos espinhosos da coluna vertebral, flanco, ossos do íleo, base da cauda, sacro e as vértebras lombares.
 
Esse escore pode ser classificado em uma escala de 1 a 5, onde 1 é o estado de uma vaca desnutrida muito magra, e 5 o estado de uma vaca muito gorda. (Figura 1).
 
Escore de condição corporal

Figura 1 - Escore corporal de vacas de 1 a 5. Fonte: Wildman, et al., 1982

Nessa classificação, é desejável manter as vacas entre os escores 3 e 3,5. Porém, observando  a sazonalidade brasileira de produção de forragem, a condição média encontrada na maioria das fazendas é inferior a 3.
 
Para atingir bons resultados de concepção (40-60%) com a utilização da IATF, as matrizes devem encontrar-se com escore maior ou igual a 2,5. Porém, se a propriedade possui fêmeas em estação de monta com condição corporal inferior, recomenda-se que o técnico faça, juntamente com o produtor, uma análise diferenciada, considerando os valores gastos para emprenhar uma vaca magra (utensílios de reprodução, hormônios, sêmen e valor do bezerro desmamado) e as baixas taxas de concepção. Uma boa referência foi apresentada por Vasconcelos (2008), em estudos com novilhas e primíparas. Neste estudo foi observado que com a queda de cada 0,25 no ECC, a taxa de concepção cai 6 pontos percentuais em média. Assim, o resultado financeiro dos lotes de fêmeas com pior escore corporal será, sem dúvida, abaixo dos lotes de melhor condição corporal.
 
O produtor pode iniciar os protocolos em vacas com melhor escore corporal a partir de 30 dias pós-parto, pois estas já estarão aptas no dia da inseminação. É recomendado alocar as vacas mais magras após as de melhor condição corporal, a fim de permitir que as mesmas consigam recuperar o estado nutricional.
 
Fonte: Rural Centro

Contribuição do melhoramento genético para a pecuária de cria

Roberto Carvalheiro (GenSys)apresentou palestra sobre o melhoramento genético bovino e sua influência para a pecuária de cria no Workshop Pecuária de Cria, organizado pelo BeefPoint em São Paulo, nos dias 11 e 12/jun.
Nos primeiros slides, o especialista já sugere uma quebra de paradigma para o melhoramento genético em bovinos, explicando que o modelo de seleção genética aplicada ao melhoramento de aves e suínos não reflete o melhoramento genético de bovinos.
Ou seja, Roberto explica que este modelo, em que há um rebanho de selecionadores, um rebanho multiplicador do material genético e o rebanho comercial, não reflete a realidade da bovinocultura de corte. Do ponto de vista do especialista, “todo criador é um selecionador”, pois escolhe quais animais colocará em reprodução, quais de suas vacas e quais touros (ou sêmen) utilizará, tomando assim decisões de seleção genética.
Porém, segundo Cavalheiro, “nem todo selecionador promove melhoramento genético do seu rebanho”. Isso porque a escolha das características a serem selecionadas deve ser tomada da melhor forma possível, considerando todas suas variáveis e consequências de seleção.
Por exemplo, em um trabalho na Nova Zelândia de 15 anos de seleção para melhoramento de peso de bezerro aos 13 meses de idade, a eficiência do sistema de produção permaneceu a mesma, mesmo com os bezerros 17% mais pesados ao sobreano após 15 anos de seleção. Isso ocorreu pois ao selecionar maior peso de bezerros, as vacas mais pesadas também foram selecionadas indiretamente, aumentando em 12% o peso médio das matrizes e assim o consumo de alimento necessário para o sistema ficou maior, diminuindo a eficiência. “Houve resposta correlacionada do peso maduro da vacada, e vacas mais pesadas consomem mais”, explica Carvalheiro.
Como demonstado na tabela acima, a eficiência entre o rebanho selecionado e o não selecionado (controle) permaneceu praticamente a mesma após 15 anos de melhoramento, pois para um mesmo consumo total e mesma área, o número de matrizes mais pesadas diminuiu e desmamaram bezerros mais pesados. Comparando com o rebanho controle, o número de matrizes ficou o mesmo, desmamando bezerros mais leves.
Desta forma, o consultor enfatiza que é necessário atenção em quais características eleger para o melhoramento, e assim direcionar todo o esforço, tempo e dinheiro para uma seleção que resulte em melhoria de eficiência do sistema de produção ao longo do tempo.
Dentro desta visão holística sugerida por Carvalheiro, os pontos abordados por ele foram todos relacionados com as fontes de receita de um sistema de produção de cria: descarte de vacas, venda de bezerros e descarte de novilhas.
  • Vacas descarte
A primeira fonte citada foi o descarte de matrizes, pois pode representar 40% da receita de um sistema de cria, e ao mesmo tempo, o custo de mantença dos animais em um sistema é em torno de 50%. Ou seja, quanto maior o peso das vacas, maior a receita com o descarte e maior o custo de mantença do sistema. Lembrando que o peso ideal para o rebanho é dependente do sistema em que está inserido: qualidade do ambiente e potencial genético de produtividade.
  •  Venda de bezerros
Sobre a venda de bezerros, Carvalheiro enfatiza que é a principal fonte de renda de um sistema de cria, representando de 45 a 60% da  receita do sistema. Portanto, ele questiona quais caracterísitcas enfatizar em um programa a de melhoramento para aumentar a eficiência de produção.
O principal ponto a levar em consideração pelo palestrante é a relação e adequação entre vaca, bezerro e sistema de produção. Esse fator é, segundo Carvalheiro, a maior razão pelo qual a raça Nelore se adaptou no sistema Tropical no Brasil. Outro ponto a se considerar para animais zebuínos são as características de fertilidade, como idade ao primeiro parto e reconcepção de primíparas, “o grande gargalo da pecuária de cria nacional” comenta Carvalheiro.
Além desses pontos de fertilidade, Roberto relembra que vacas gordas geram receita, e que taxas de concepção acima de 90% são “utópicas” segundo Carvalheiro. Abater vacas prenhes e/ou manter vacas velhas no rebanho não é viável, pois desta maneira se diminui a reposição de novilhas, aumentando o intervalo entre gerações e aumentando o rebanho de vacas eradas, deixando assim a capacidade suporte do sistema com menos animais por área. É preciso encontrar o ponto ótimo entre a taxa de prenhez e taxa de descarte de cada propriedade para se chegar à máxima eficiência econômica.
A habilidade materna é outra característica a se ter cuidado em melhoramento genético. Carvalheiro chama a atenção que quanto maior esta habilidade, maior será a exigência energética da vaca pela maior produção de leite. Aumentando assim a necessidade de alimento, diminuindo o número de animais viáveis em uma mesma área. Portanto é importante não melhorar em excesso tal característica.
Ainda na questão da produção de bezerros, relacionando os recursos necessários (inputs) e os animais produzidos (outputs), Roberto acredita que mesmo um criador, sem recria e engorda, deve considerar em seu sistema de produção que seu bezerro será a carcaça e a carne de amanhã, por isso a seleção do touro (sêmen) deve ser criteriosa, levando em consideração que há reprodutores que apresentam progênies boas para peso a desmama porém com maus resultados para o peso ao sobreano.
Desta forma, mesmo um criador deve selecionar qual touro utilizar analisando além de somente características na desmama, pois pensando em trabalhos de longo-prazo, seus clientes recriadores podem deixar de fazer negócio por notarem mau desempenho dos animais após a desmama.
Na seleção de bezerros, Roberto comenta que é importante focar características complementares, e não só no peso do animal. Um bezerro pesado pode ser tardio, alto, sem musculosidade. A avaliação visual visando a seleção de acordo com a composição da carcaça deve ser utilizada.
  •  Descarte de novilhas
Mesmo sendo a menor parte da receita de um sistema de cria (até 5%), Carvalheiro diz que a reposição de novilhas é importante para a longevidade da produção, mantendo sua eficiência reprodutiva e econômica.
Partindo para outro tópico de sua apresentação, Roberto lança a questão: “o que é uma vaca eficiente?” e apresenta uma resposta de pesquisadores dizendo que a eficiência de uma matriz é dependente do desempenho de sua cria (peso e composição de carcaça), custo de mantença e fertilidade.
Desta forma, os autores montaram um estudo comparando vacas de diferentes raças taurinas em diferentes condições de consumo de matéria seca (MS) para avaliar e comparar suas eficiências. De maneira geral, vacas de maior porte (frame) tiveram melhor eficiência em situação com maior disponibilidade de MS. A forma contrária também verdadeira: vacas de menor porte tiveram melhor eficiência em sistemas com menor consumo de MS.
A eficiência foi medida em produção de bezerro (grama de peso a desmama produzido por bezerro), dependendo da ingestão de MS (kg) por vaca e número de vacas expostas no sistema.
Complementando o estudo, Carvalheiro estimou a eficiência da vaca Nelore para compará-la com as raças do estudo. Portanto, utilizando dados de uma vaca de 430kg de peso vivo, peso do bezerro a desmama de 190kg com taxa de prenhez de 80%, o consumo estimado seria de 3.100kg/MS/ano (2% peso vivo) com eficiência de 49g, ou seja, mais eficiente em sistemas de baixo consumo de MS do que as raças do estudo original.
Assim, o consultor conclui que o potencial da vaca Nelore é enorme devido ao tamanho do patrimônio nacional, e por isso a responsablidade técnica é de muita importância neste ponto. Além do mais, a vaca brasileira tem este potencial com sua nutrição baseada em pastagens brasileiras, de menor qualidade comparada à dieta fornecida às raças taurinas do estudo.
Pensando em melhoramento genético para vacas de alta eficiência, Carvalheiro cita um índice criado chamado Retorno Maternal (RMat), para ser utilizado em seleção de touros produtores de fêmeas mais eficientes. O principais fatores de seleção para estes touros são o desempenho da progênie (produtividade, conformação, musculosidade), precocidade sexual, longevidade (permanência produtiva: quantos produtos até 4,5 nos de idade) e custo de mantença (peso maduro das fêmeas).
Utilizando-se dados para demonstrar a utilização do índice, observa-se que a fêmea com melhor índice RMat (kg/ano) é a fêmea precoce (1o parto antes dos 30 meses de idade), com permanência produtiva (dois bezerros até 4 anos de idade) e com crias de desempenho superior.
Comparando fêmeas precoces e não precoces, o índice indica que mesmo parindo antes dos 30 meses de idade, a vaca pode ter um índice menor do que vacas não precoces, caso a primeira não tenha longevidade, ou seja, não parir duas vezes até os quatro anos de idade. No mesmo raciocínio entre vacas precoces e não precoces, caso ambas tenham longevidade (duas crias até os 04 anos de idade), o desenpenho da progênie determinará o índice, favorecendo a matriz com progênie de desempenho superior.
Avaliando os touros e classificando-os, percebe-se que as matrizes de melhor RMat são a progênie dos touros melhor avaliados. E comparando o RMat médio das fêmeas avaliadas e classificadas em relação aos touros, a diferença chega em 1@/matriz/ano. As matrizes  filhas dos melhores touros tiveram RMat médio de 75 kg/ano, e as vacas filhas dos touros pior avaliados tiveram RMat médio de 43,9 kg/ano.
Finalizando, Carvalheiro diz que há diversas características para se preocupar em melhoramento e que há diversos índices de seleção utilizados no país. Hoje são consideradas mais carcterísticas, o melhoramento está evoluindo comparado com anos atrás, quando somente o peso dos animais era considerado. Desta forma, a atenção sobre quais características selecionar torna-se mais importante devido a suas interações.
Os marcadores moleculares irão contribuir ainda mais no melhoramento genético, tornando mais preciso o processo de prdição de resultados de cada característica. As biotécnicas reprodutivas (IATF, FIV) já estão e irão contribuir ainda mais para o melhoramento genético, principalmente para a reposição de fêmeas Nelore, já que a produção de cruzamento vem aumentando. Para o futuro, ele enfatiza que a atividade de cria deverá se tecnificar e se especializar cada vez mais, para produzir assim um bezerro com diferencial de mercado que viabilize economicamente o sistema de produção.
Roberto Cavalheiro, Zootecnista formado na Univ. Federal de Lavras, mestre e doutor em genética e melhoramento animal pela UNESP, com pós-doutorado na University of New England, Austrália. Atua desde 2004 como consultor em melhoramento genético animal na empresa GenSys.

domingo, 20 de dezembro de 2015

EUA: pressão contra carne brasileira perde força


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O lobby do setor pecuarista dos Estados Unidos contra a abertura de seu mercado à carne bovina in natura do Brasil está perdendo força no Congresso daquele país, segundo uma fonte que acompanha o assunto. O orçamento americano, previsto para ser votado hoje, deve ser aprovado sem a inclusão das emendas que tinham potencial para atrasar a efetiva abertura do mercado de carne bovina dos EUA por alguns anos. Com isso, o horizonte para os frigoríficos brasileiros fica mais claro e reforça a expectativa de que seus primeiros embarques de carne bovina in natura para os EUA possam ocorrer já no primeiro semestre de 2016. Na semana passada, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadores de Carnes (Abiec) previu que os embarques poderão começar no segundo semestre e render pouco mais de US$ 100 milhões em 2016. Embora tenha sido anunciada pelo Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) durante a visita da presidente Dilma ao país, em junho, a efetiva abertura do mercado vem se arrastando desde então pela pressão de parlamentares ligados ao setor pecuário, mesmo com a declarada posição do Executivo americano, que defende a abertura ao Brasil. Para se contrapor ao lobby pecuarista, integrantes da embaixada brasileira em Washington fizeram 14 reuniões com membros do USDA e de comissões do Congresso, além de terem enviado mais de 70 cartas a alguns parlamentares americanos. Entre julho e agosto, as comissões de dotação orçamentária da Câmara e do Senado chegaram a incluir emendas aos projetos que tratam dos gastos do USDA no ano fiscal de 2016, requerendo medidas adicionais para verificar a possibilidade de a importação do produto brasileiro levar febre aftosa aos EUA. Se essas medidas fossem aprovadas, a abertura do mercado americano voltaria à estaca zero. Por fim, no texto final do orçamento que tende a ser aprovado hoje consta uma emenda bem mais branda, prevendo auditorias e avaliações por parte do Serviço de Inspeção Sanitária Animal e Vegetal (Aphis, na sigla inglês) em países que tiveram o status sanitário aprovado por esse mesmo órgão. Com informações do Valor.

Arroba: fim de ano lento no mercado

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A proximidade dos feriados de final de ano tem colaborado com a lentidão do mercado. Praticamente todas as indústrias estão com as programações de abate prontas para a próxima semana, restando apenas a última semana do ano para ser preenchida. Acompanhe as cotações do mercado do boi gordo e da reposição em: www.pecuaria.com.br/cotacoes.php Neste momento, há dificuldade de preencher as programações da última semana do ano em função da resistência dos pecuaristas em embarcar e abater a boiada nesta época. Mas, de maneira geral, isso não foi suficiente para gerar pressão de alta, já que o consumo não sinalizou melhora significativa este mês, tornando os estoques atuais suficientes para atender a demanda. Nos próximos dias a expectativa é de que as negociações ocorram de maneira lenta, com pouca possibilidade de alterações significativa nas cotações. Em curto prazo é esperada melhora das vendas de carne. Com informações da Scot Consultoria.