domingo, 7 de dezembro de 2014

Rentabilidade da cria é comparável a recria e engorda?

A situação atual da cria na pecuária de corte brasileira é dos temas que mais me interessa e motiva. A cria é muito pouco estudada e avaliada. É o gargalo da pecuária, é o elo mais fraco, que dá o ritmo de expansão da atividade. Se conhecermos mais a cria, como atividade econômica, fica mais fácil analisar os ciclos produtivos, fazer previsão de preços e volume de oferta no médio-longo prazo.
Esses dados abaixo me levaram a uma reflexão sobre o que podemos esperar da cria nos próximos anos.

Fonte: Exagro, maio 2011.
A cria é uma atividade que carrega uma série de mitos, ou pré-julgamentos. Abaixo avalio uma série de percepções minhas.
Cria é uma atividade de baixa rentabilidade. Acredita-se que a cria garante rentabilidade menor do que a recria e engorda e a tabela confirma isso. Mas é possível ir mais fundo e avaliar uma série de nuances.
A cria cresce menos que a recria e engorda. Avança menos em tecnologia. É o gargalo da pecuária de corte. Um ponto interessante é que com a profissionalização da pecuária, com cada vez mais gente calculando seus custos e avaliando economicamente suas opções, a cria tenderia a ficar em segundo plano, pois quem mede (e percebe que rende menos), iria para outras atividades.
Um contra-ponto: avaliando-se a rentabilidade média nas colunas “clientes”, é melhor fazer apenas cria, do que cria-recria-engorda (ciclo completo). Uma indicação de que o foco traz melhores resultados. No entanto, o valor máximo é bem superior para quem faz C-R-E do que quem apenas cria.
Cria é uma atividade de longo prazo. Isso gera menos opções de financiamento. Um maior risco e complexidade ao se avaliar um projeto. Isso diminui a chance de alguns perfis de produtores entrarem na atividade e também dificulta quem já atua nessa área a se expandir, com recursos de terceiros. Os projetos de integração, onde o comprador do bezerro fornece insumos, tecnologia e serviços em troca de uma garantia de fornecimento e preço ainda são escassos. Gostaria de conhecer mais projetos nesse sentido e estudá-los.
Outro mito que eu tinha é que quem faz cria profissional, faz ciclo completo, para não perder renda, não repassar o lucro para frente. Acreditava que devido a isso, seria cada vez mais difícil comprar bezerros de alta qualidade. Analisando a tabela, começo a acreditar que isso não será regra. Com perspectivas de bons preços de venda de bezerros e os ganhos de se focar e se especializar em apenas uma atividade devem estimular o surgimento de criadores com elevada tecnologia e especialização na cria de alta qualidade (e alto preço).
Vale lembrar que tecnologia é fazer mais com menos ou pelo menos fazer mais com os mesmos recursos. E não usar essa ou aquela técnica ou produto.
Analisando-se a tabela pode-se inferir que quem faz recria e engorda com alta rentabilidade é muito bom em duas áreas: 1-produção e 2-comercialização (compra e venda de animais). Ou seja, precisa produzir com muita eficiência, ao mesmo tempo em que avalia o mercado e compra e vende seus animais em bons momentos, de forma sincronizada com a capacidade de lotação da fazenda (que varia ao longo do ano).
Fica muito claro que quem tem alto lucro na pecuária consegue orquestrar muito bem a parte de produção com a comercialização. Quando compra, quando vende e como opera os animais na fazenda nesse meio tempo. São muitas variáveis, em áreas de conhecimento muito diferentes.
Quem faz cria com alta rentabilidade é muito bom em produção e também deve ser em comercialização, mas como não compra animais (em grande volume) o ganho em rentabilidade viria da venda bem feita. Há gente que fale que a cria é para quem não gosta de negociar, mas fica fácil de perceber que quem ganha na cria, vende muito bem seus animais.
O estudo também levantou números de outras fazendas, que chamaram de “diagnósticos”. Nessas fazendas, a rentabilidade média variou muito. As que fazem cria tem apenas R$ 13,70/ha de rentabilidade. E quem faz recria/engorda tem em média R$ 65,10/ha, ou seja, quase 5 vezes mais lucro por ha. Com menos eficiência, provavelmente produtiva e comercial, se percebe duas coisas: a rentabilidade é muito distante das fazendas de alto nível e mais ainda, a diferença de lucratividade entre as atividades é muito grande.
Entre os clientes da Exagro, a rentabilidade média varia muito menos. Na cria é de R$ 146,50/ha e na recria/engorda (atividade com maior média) é de R$ 154,10/ha. Ou seja, menos de 10% mais alto. Na rentabilidade máxima, entre os clientes da empresa, a variação fica bem maior. De R$ 232,10/ha na cria para R$ 353,70/ha na recria/engorda, 50% mais alto.
Primeira observação, óbvia: a disparidade de rentabilidade entre fazendas é enorme, mesmo fazendo a mesma atividade. A renda média da cria “diagnósticos” é quase 11 (onze!) vezes menor do que a média dos clientes da consultoria. Isso mostra como há espaço para se melhorar a rentabilidade da pecuária como um todo, e com isso ainda aumentar produção, sustentabilidade e até qualidade da carne de uma só vez. Produção eficiente pode trazer tudo isso junto.
E a migração para outras atividades, como cana e grãos? Um criador com menos de R$20/ha vai muito facilmente arrendar suas terras para qualquer atividade agrícola que apareça na sua região. Até mesmo quem lucra R$ 65/ha por ano ficará muito tentado. Por outro lado, quem está na casa dos R$ 200-300/ha ano não irá migrar tão facilmente.
Existe a impossibilidade de se abrir novas áreas, por questões ambientais. A fronteira é onde tradicionalmente a cria cresce e é uma fonte de bezerros baratos. A pressão agrícola por áreas de pecuária vai aumentar daqui em diante. Ou seja, com mais agricultura e mais dificuldade na abertura de novas áreas, a pecuária vai encolher em área. Mas pode aumentar a produção mesmo com área menor. A chave é produção eficiente.
Me perguntam com frequencia se é melhor fazer cria ou recria/engorda. Acredito que a resposta depende da vocação da pessoa, da fazenda e da região. É claro que na média, a recria-engorda é mais rentável, mas acredito muito num futuro promissor para a cria.
Flutuações de preços devido aos ciclos de produção vão continuar a existir e outros fatores, como o crescimento mundial vão continuar a influenciar os preços pecuários.
Escassez gera bons preços. Essa é uma verdade que deve continuar valendo para o preço do bezerro por vários fatores. A velocidade com que a cria avança ainda é menor do que a recria-engorda. A rentabilidade é em muitos casos menor ou muito menor. A área da cria vai diminuir.
A demanda por carne bovina é crescente e não existe carne sem bezerro (pelo menos por enquanto). Continuamos a ter ciclos, mas o patamar de preço do bezerro deve ser mais alto. Tudo isso me leva a crer que planejar a atividade de recria-engorda mirando no lucro que vinha da compra de bezerros baratos não me parece uma estratégia vencedora daqui em diante.

Aprenda sobre a alimentação de gado de corte

A alimentação é fundamental na definição da rentabilidade na criação do gado de corte

A alimentação é fundamental na definição da rentabilidade na criação do gado de corte. Por isso, é indispensável que o pecuarista conheça a fundo os principais conceitos de nutrição animal e as características nutricionais dos principais alimentos.

Ao propiciar a alimentação necessária a um rebanho, entretanto, o técnico se depara com algumas questões fundamentais: as necessidades nutricionais de cada tipo de animal a ser atendido para a mantença (manutenção do peso); a velocidade de ganho de peso desejada, em cada fase da criação; a viabilidade econômica da aceleração do ganho de peso; e a disponibilidade de alimentos que possam garantir nutrição aos animais, visando a produção. Além disso, há a preocupação com os custos dos alimentos, para que a produção seja economicamente vantajosa; e as possíveis combinações que poderiam resultar num alimento que ofereça o máximo de nutrição a um custo mínimo.

Nutrição

É a partir dela que os animais podem expressar todo seu potencial genético para produção, desenvolvimento e reprodução.  As proteínas, gordura, açúcares, cálcio, minerais, vitaminas e água são elementos que devem compor a dieta, em diferentes quantidades e combinações, com um balanceamento que varia com a categoria animal, para que eles possam desempenhar todas as atividades vitais.

Para que haja um bom aproveitamento dos nutrientes, o produtor precisa conhecer as classificações dos mesmos e as categorias de alimentos que compõem a dieta dos bovinos de corte.
Os volumosos e concentrados são alimentos indispensáveis no manejo alimentar do gado.
Os volumosos e concentrados são alimentos indispensáveis no manejo alimentar do gado.

Podemos dividi-los em duas frações básicas: água e matéria seca. Vamos considerar que o valor nutritivo está na matéria seca, composta por matéria orgânica e mineral. A primeira contém carboidratos e lipídios que fornecem energia, e, ainda, dois outros elementos: proteínas e vitaminas. Já a mineral contém macro e microelementos.  Todos eles estão presentes nos dois principais alimentos fornecidos ao gado, volumosos e concentrados.

Volumosos e concentrados

Os alimentos volumosos são aqueles que contêm alto teor de fibra bruta (mais que 18%) e baixo valor energético, ou menos que 60% de NDT, que correspondem à soma de todos os nutrientes digestíveis, exceto cinzas e vitaminas contidas no alimento. Nesse grupo incluem-se as pastagens, as forrageiras para corte, fenos, silagens, restos culturais, resíduos de agroindústrias, cascas, sabugos e outros.

Os alimentos concentrados são aqueles que apresentam menos de 18% de Fibra Bruta em sua composição, porém alto teor energético, ou mais de 60% de NDT. São mais concentrados em nutrientes quando comparados aos volumosos. Podem ser divididos em energéticos e proteicos. Os primeiros, apresentando menos de 20% de proteína bruta, são representados principalmente pelos grãos de cereais (milho, sorgo, trigo, arroz, etc.) e seus subprodutos, raízes e tubérculos (mandioca, batata, etc.), as gorduras e os óleos de origem vegetal ou animal. Os proteicos apresentam mais de 20% de proteína bruta em sua composição e podem ser de origem vegetal, como as oleaginosas (soja, algodão, amendoim, etc.), de origem animal (farinha de carne, sangue, pena, etc.) excluídos os ossos e gorduras, subprodutos (farelos), excrementos de aves, “cama” de animais, biossintéticos etc.

O grão de milho triturado é o concentrado energético mais utilizado para nutrição animal em todo o Brasil. A cultura é tradicional e está presente nas principais regiões de criação. Seu valor nutritivo é considerado excelente, principalmente pelo nível de energia. Ele apresenta 8,5 a 9,0% de proteína bruta e 0,25% de fósforo.
As pastagens constituem a principal fonte de alimentos para ruminantes.
As pastagens constituem a principal fonte de alimentos para ruminantes.

A soja é a fonte de proteína de melhor qualidade para a alimentação animal e apresenta alto teor energético, pela significativa quantidade de óleo. Tem baixo teor de cálcio, de fibra, e pouco caroteno e vitamina D.

Pastagens X produtividade, quando suplementar?

No Brasil, o ano apresenta pelo menos duas estações definidas, em termos de crescimento e qualidade de forragem: uma com crescimento intenso, quando, normalmente, a qualidade é adequada; e outra, com crescimento baixo ou nulo, quando, geralmente, a qualidade da forrageira é inadequada para o desempenho animal. Além da menor oferta, o animal dispõe de um pasto pobre em proteína, com maior teor de fibra e altamente lignificada. A consequência é que em sistemas de produção baseados somente em pastagens o ano todo, os ganhos de peso são baixos ou há perda de peso.

Durante o período chuvoso, as pastagens chegam a apresentar níveis satisfatórios de proteína, energia e vitaminas, enquanto os minerais estão deficientes, impedindo o pecuarista de obter índices máximos de produtividade. Já no período de estiagem, todos os nutrientes estão deficientes nos pastos; portanto, nessa época, a suplementação de apenas um nutriente não resulta em melhores rendimentos do rebanho.

O efeito da suplementação na pastagem, na maioria das vezes, não é aditivo, mas, sim, substituto. O objetivo básico dessa suplementação é fornecer proteínas, energia e minerais aos animais; nutrientes que podem ser considerados como os pilares da suplementação no período de estiagem. Sobre a escolha do tipo de suplementação alimentar que se pretende utilizar, ressaltamos que dependerá, em grande parte, do objetivo que se tem em mente.

Conhecendo os diversos tipos de alimentos, é possível utilizar, de maneira mais racional, variadas alternativas de alimentação para bovinos de corte.  Ao escolhê-los, deve-se considerar sua disponibilidade na região, economia, praticidade e se é o que melhor atende às necessidades nutricionais do rebanho.
Por: Patrícia Tristão

domingo, 30 de novembro de 2014

Boi: com alta da arroba, SP pode voltar a investir em pecuária em 2015

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A valorização do boi gordo em 2014 e a perspectiva de que os preços continuarão firmes no próximo ano podem elevar os investimentos na atividade pecuária em São Paulo, segundo especialistas que participam de debate promovido pela Scot Consultoria. Além da alta do preço da arroba, o cenário adverso para o setor sucroalcooleiro também reforça a ideia de que os fazendeiros paulistas podem voltar sua atenção para a produção pecuária. "Há um processo de reversão para a pecuária em alguns Estados, como São Paulo, por exemplo. Muitos hectares onde antes era produzida cana-de-açúcar voltam a ser utilizados na produção de boi", afirmou Sérgio De Zen, professor da Escola Superior de Agricultura (Esalq) da USP e pesquisador do Cento de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). 
Os analistas consideram, no entanto, que o investimento pode ser arriscado. "Todo o investimento em pecuária é um investimento de médio/longo prazo. A dúvida que existe agora no mercado é se esse aumento verificado na arroba será de longo prazo", comentou Fábio Dias, diretor comercial da Agropecuária Santa Bárbara. Para os especialistas, a queda dos preços dos grãos, em contrapartida, não deve pesar na decisão de investimento no setor pecuário. No entanto, acreditam que a contração da rentabilidade da soja, por exemplo, pode estimular investimentos em atividades de produção integrada.

Falta de chuva pode diminuir oferta de bezerros, alerta Cepea

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O mercado precisa estar atento à produção bovina do próximo ano. A taxa de natalidade de bezerros no início de 2015 pode ser comprometida pela falta de chuvas deste ano. A análise é de Sergio De Zen, pesquisador da área de pecuária do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea-Esalq/USP).
Para Zen, é por essa razão que os produtores continuam comprando bezerros, apesar da alta recorde registrada no primeiro semestre deste ano.
O preço do bezerro subiu 17,82% no Mato Grosso do Sul – em São Paulo, o aumento foi de 16,5%. A comparação foi realizada com dados do Cepea-Esalq/USP de 23 de julho e de 23 de janeiro.
Confira mais comentários de Sergio de Zen e outras análises de produção na edição 450 da Revista Nacional da Carne.

Campanha contra pirataria lança vídeo

Meta é conscientizar produtores sobre riscos do uso de produtos veterinários ilegais

A Campanha Nacional Antipirataria de Produtos Veterinários divulgou nesta semana vídeo sobre o tema para ser veiculado na internet e nos sites das associações que apoiam a iniciativa. 
O vídeo enfatiza que o uso desse tipo de produto prejudica o rendimento e o desenvolvimento dos rebanhos, pode levar os animais à morte e colocar em risco a vida dos consumidores de proteína animal. 
A campanha foi lançada durante a Expointer 2014 e busca reduzir  a venda dos produtos comercializados de forma ilegal, que representam em torno de 15% do segmento de saúde animal, ou R$ 600 milhões anualmente.
No site criado para a campanha (http://denuncieprodvetpirata.org) é possível fazer a consulta ao Compêndio de Produtos Veterinários em versão online para verificar se o produto tem registro no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).
Confira o vídeo:

Arroba acumula alta de 3,26% em novembro

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Oferta limitada de animais para abate mantém cotação em alta, avalia Cepea


No mercado spot de São Paulo, o preço da arroba do boi gordo continua em alta, devido à oferta limitada de animais para abate. Segundo colaboradores do Cepea, a dificuldade de compra de lotes maiores e/ou que atendam a certas  de mercados/clientes, como o europeu, é ainda maior, especialmente dentro do estado. 
 
Entre 19 e 26 de novembro, o Indicador ESALQ/BM&FBovespa acumulou aumento de 1,04%, a R$ 145,26 nesta quarta-feira,26. Na parcial de novembro, a alta é de 3,62%. 
 
Já no mercado atacadista de carne com osso da Grande São Paulo, a carcaça casada de boi permaneceu estável nos últimos sete dias, refletindo ainda certo desaquecimento da demanda neste segmento. Nessa quarta-feira, o quilo do produto fechou, em média, a R$ 8,99. Já as carnes concorrentes registraram baixas mais expressivas no mesmo período.
Fonte: Portal DBO

Preço do bezerro sobe em ritmo mais acelerado que cotação da arroba

Para analistas, o resultado desse movimento é a redução das margens dos pecuaristas que trabalham nas etapas de recria e engorda dos animais
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O preço do bezerro no Brasil apresenta uma valorização mais forte do que as cotações da arroba do boi gordo, aponta levantamento do Rabobank. Segundo cálculo do banco, entre janeiro e outubro deste ano o valor do bezerro acumulou alta de aproximadamente 31%, enquanto o preço da arroba subiu cerca de 22% no mesmo período.
Para analistas, o resultado desse movimento é a redução das margens dos pecuaristas que trabalham nas etapas de recria e engorda dos animais, mesmo em período de cotações recordes no mercado físico.
Os analistas explicam que quanto maior for o valor da arroba do boi projetada, maior a valorização proporcional do bezerro. Ou seja, com a valorização do boi gordo serão cada vez necessárias mais arrobas para comprar um bezerro.
De acordo com as projeções do banco, em um cenário no qual a arroba do boi gordo esteja no patamar de R$ 130, o pecuarista precisa de 8,2 arrobas para a compra de um bezerro - considerando como referência o nelore entre 8 e 12 meses em Campo Grande (MS). Já no caso da arroba em R$ 140 e R$ 150, seriam necessárias de 8,4 a 8,6 arrobas para a compra de um bezerro, respectivamente.  
A alternativa para manter as margens seria abater um animal mais jovem e mais pesado. Porém, somente um bezerro mais pesado poderia sustentar esse movimento, sugerem os profissionais. Segundo avaliação do Rabobank, essa maior valorização do bezerro no comparativo com a arroba é um resultado direto do descasamento entre os elos do ciclo pecuário brasileiro.
A prática da venda de bezerros por peso e não mais por cabeça, por exemplo, exigiria um maior nível de integração na cadeia produtiva, a exemplo do que acontece nos Estados Unidos.
Para os analistas, o investimento na etapa de cria e na maior integração com o restante da cadeia é determinante para o crescimento de setor no Brasil. Segundo eles, a crescente demanda internacional por carne bovina, especialmente na Ásia, demandará do País um maior número de animais abatidos e com maior qualidade.
– Portanto, os produtores devem se adequar a uma realidade de bezerros mais valorizados e buscar incentivar a produção de animais jovens mais pesados e de melhor qualidade. A venda de bezerros por cabeça, que desvaloriza o bom trabalho da cria, deverá ser gradualmente substituída pela precificação do animal pelo peso. Isso conectará o desempenho da cria com o resultado final da engorda – afirmam no relatório.