domingo, 11 de janeiro de 2015

USO DO SAL PROTÉICO

Do ponto de vista prático, os bovinos possuem a capacidade de usar tanto proteínas naturais (farelos, forragens etc.) como o nitrogênio não protéico, ou NNP, existente na uréia + sulfato de amônio (85% de uréia + 15% de sulfato de amônio). 
Entretanto para que isto ocorra, é necessário que exista na dieta uma quantidade adequada de carboidratos solúveis (energia). 
Quanto mais uniforme for a liberação de amônia (hidrólise do NNP) e a de carbono (digestão dos carboidratos), maior vai ser a eficiência de síntese microbiana e, conseqüentemente, desempenho animal. 
Não havendo uma disponibilidade adequada de carboidratos no momento da liberação da amônia no rúmen, esta amônia não será incorporada à massa microbiana, sendo então, absorvida do rúmen para dentro da corrente sangüínea e, posteriormente, eliminada pela urina. Este processo metabólico é indesejável, pois requer o uso de energia que poderia, de outra forma, ser utilizada para a produção.
Um outro aspecto é que se a liberação de amônia no rúmen ultrapassar a capacidade de metabolização do animal (acima de 75 mg/100 ml de líquido ruminal), vão ocorrer problemas de intoxicação, podendo inclusive levar o animal à morte. Portanto, a participação do NNP na dieta é função do nível energético da mesma. 
Por exemplo, em animais alimentados exclusivamente com grãos, a eficiência de utilização do NNP pode chegar próximo a 100%. Já com dietas de baixa qualidade, caso das pastagens na seca, esse nível de eficiência cai para 20%. Isto precisa ser considerado no momento de se balancear uma dieta e tomar decisões de quanto NNP poderá substituir a demanda total de proteína. 
Aparentemente, níveis de substituição de até 40% da proteína natural pelo NNP não afeta o consumo de pastagens na seca (Köster et al., 1996). Entretanto, apenas com níveis de substituição abaixo de 25%, desempenho animal serão aproximadamente similares à suplementos sem uréia (Cochran et al., 1998).
SAL PROTÉICO 1 - mantença
A forma mais simples e prática de se suplementar NNP para animais em pastejo, seria através da mistura mineral, considerando-se que após corrigida a deficiência protéica, a presença de fósforo e outros minerais se faz necessária para manter as funções metabólicas normais. 
O nível de NNP pode alcançar até 50% da mistura mineral (Haddad, 1984). Entretanto, normalmente o consumo dessa mistura acaba sendo muito baixo, devido à baixa palatabilidade do NNP ou aglutinação e empedramento da mistura no cocho. 
Por essa razão, surgiu o sal protéico, que, além do NNP e mistura mineral na sua composição, inclui também um farelo protéico. Esse ingrediente, além de adicionar fontes extras de nutrientes (proteína e energia), funciona também como palatabilizante. 
O objetivo fundamental do uso do sal protéico é suprir a deficiência de nitrogênio das bactérias ruminais. Isto ocorrendo, vai haver um aumento no consumo da pastagem e conseqüente maior ingestão de nutrientes, revertendo uma situação de perda de peso para mantença de peso. Abaixo é dado um exemplo dessa mistura:
 
SAL PROTÉICO 1


INGREDIENTES
PERCENTUAIS, base matéria fresca
Farelo de soja
63,8
Uréia + Sulfato de amônio
10,6
Mistura mineral
9,6
Sal comum
16

Essa mistura tem um teor de 58% de PB, com 40% de substituição do PDR por NNP. Consumo diário por animal deveria ficar entre 300 g – 400 g. Ajustes podem ser feitos variando a quantidade do sal comum. Admitindo um consumo diário de 350 g, o custo por animal será igual a R$ 0,10. Uso durante a estação seca (PB na pastagem abaixo de 7%). Desempenho animal: mantença.
 
SAL PROTÉICO 2 - 200 g/dia
Podem ocorrer situações em que não há resposta animal ao uso do sal protéico 1. Este seria o caso em que as pastagens, quando bem manejadas (carga animal adequada), apresentam boa disponibilidade de massa no início da seca. Isso permite que o animal em pastejo selecione uma dieta com mais de 7% de PB. 
Esta última situação está de acordo com o conceito básico para o uso do sal protéico, qual seja, respostas não serão obtidas quando as condições qualitativa e de disponibilidade da pastagem, permitam ao animal manter o peso vivo. 
Para estas situações, o uso do sal protéico 2, com um consumo um pouco acima do anterior é recomendado. O objetivo seria alcançar ganhos de até 200 g/ani/dia.
 
SAL PROTÉICO 2
INGREDIENTES
PERCENTUAIS, base matéria fresca
Milho moído
28
Farelo de soja
45
Uréia + Sulfato de amônio
6
Mistura mineral
10
Sal comum
11

Essa mistura tem um teor de 40% de PB, com 20% de substituição do PDR por NNP. Consumo diário por animal deveria ficar entre 500 g – 600 g. Ajustes podem ser feitos variando a quantidade do sal comum. Admitindo um consumo diário de 550 g, o custo por animal será igual a R$ 0,14. Uso durante a estação seca.
Uma condição extremamente importante para se iniciar o uso do sal protéico, é que o pasto apresente massa suficiente para suportar todo o período de suplementação, incluindo o provável aumento no consumo deste pasto devido à suplementação. 
Exemplos práticos para o uso do sal protéico, seria o de manter as condições corporais de novilhas e vacas de cria, ou peso de novilhos que serão abatidos no início do próximo período de chuva. Não é uma medida adequada para se alcançar ganho de peso, mas sim mantença. 
Em se pensando em custo, lembrar que na época da seca, proteína é o nutriente limitante e por esta razão, o uso do sal protéico normalmente apresenta um maior retorno econômico, quando comparado à suplementação protéica/energética (Wagner, 1989). Este último suplemento é popularmente conhecido como Mistura Múltipla;

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